Aristides Dias

Chegou o período do carnaval e me veio uma constatação o quanto o povo obidense gosta dessa festa, pois desde o dia primeiro de janeiro a gente Pauxis sobe e desce ladeira num vai e vem se dando bem sem se atrapalhar. Numa energia sincronizada e um gostar da folia sem igual; pode-se dizer que carnaval em Óbidos não é para os fracos.
Quem imagina que em plena segunda-feira, uma multidão segue um carro som improvisado, só com metais e uma percussão da pesada atrás, pelas ruas obdidenses dançando a todo vapor marchinhas e frevos? Coisas de Óbidos. E tem ladeiras que o povo sobe correndo, dançando, chovendo, com calor; não importa, o importante é participar da festa.
Confesso que já faço parte da turma do “atalho”, da “esquina”, do “espia”, isso mesmo. Aqueles que aproveitam o bloco por um momento, em algum lugar, depois corre para ver a passagem de novo em outro lugar, até esperar no “Fobódromo”, local de culminância dos blocos, mais conhecido como Praça da Cultura.
Diria que nos dias oficiais o Carnapauxis não deixa a desejar para nenhum grande evento da região, sua estrutura é de primeira: palco, camarotes, som, praça de alimentação etc. é um evento grandioso que envolve em torno de 15 a 20 mil pessoas diariamente.
E falando nisso, acho que o governo estadual já deveria enviar uma equipe de sua estatal, a TV Cultura, para transmitir, nem que fosse um dia do Carnapauxis ao vivo, ele já faz isso com o Festribal em Juruti, o que eu acho muito justo – mas o Carnapauxis não é menos importante que esse evento, principalmente para a região, pois é uma manifestação autêntica, popular e cultural, pois nela está toda a cultura de uma região, que precisa ser mostrada para mais gente. (só uma opinião).
Ainda sobre a “veia carnavalesca” do Pauxiara, a nova geração é preparada naturalmente para a preservação da cultura, pois até bloco infantil faz parte da programação oficial, uma forma de garantir a continuidade da tradição.
Percebe-se que a cidade ainda não está preparada para uma explosão de sucesso, pois ainda deixa a desejar na questão hoteleira, restaurantes etc. mas é uma questão de adaptação, acredito eu, pois assim que o evento vai crescendo, as oportunidades vão surgindo.
São quase trinta anos de evento, salvo engano o novo modelo de carnaval de rua de Óbidos começou em 1997. De lá pra cá muita coisa mudou, muita coisa teve que se profissionalizar, devido a necessidade, assim acredito que pode acontecer com as questões estruturais.
Mas uma coisa que é certa, é que, o folião Pauxis não pode escutar o rufar de um tambor que corre para as ruas com maizena na mão, a toalhinha na cintura, sai de Mascarado Fobó, de Virgem e todos os blocos que lhe apresentarem, porque tem muita folia no pé.
Salve o folião obidense!