Aristides Dias

Por muito tempo ele foi figura obrigatório na mesa dos obidenses. Era o preferido de todos. Falo do famoso Guaraná Fran. Refrigerante produzido na cidade de Óbidos que saciava o paladar Pauxiara. Não existia casamentos, aniversários, festas ou qualquer outro evento que não tivesse aquela garrafinha escura com aquele líquido precioso na mesa. Coca-Cola nem chegava perto.
A fábrica funcionava no início da ladeira do “Cai, cai”, que na minha época era o buraco do “Cai, cai” por ser cheio de erosões, depois, construíram uma escadaria e passou a se chamar “Escada do Cai cai” e hoje é uma ladeira com tráfego de veículos, inclusive. Nem parece aquelas terras caídas do meu tempo. Lembro quando passava em frente a fábrica e via os funcionários pisando em um pedal das máquinas que produziam aquele som do engarrafamento do guaraná (tissi, tissi). De lá saía centenas de garrafas em caixas de madeira de uns 330 ml cada, com o rótulo produzido na gráfica da escola São Francisco e grudado na fábrica.
Esse refrigerante era motivo de orgulho dos obidenses, pois era fabricado em Óbidos, juntamente com o Laranjada Moleque, esforço do empresário da época Wilton de Azevedo Bentes, investimento arrojado pra época, o que mostrava uma visão de vanguarda do empreendedor. O Guaraná Fran, e o Laranjada Moleque, tinham até jingle que todo mundo cantava, na voz do autor Max Hamoy e era mais ou menos assim:
Vamos, vamos minha gente
Cantando com muita emoção
Tomando refrigerante
Com todas as nossas fãs
Refrigerante da Amazônia
Laranjada Moleque e Guaraná Fran
Como muitos acreditam que não existe só uma cabeça de burro enterrada na cidade e sim um burro inteiro, o negócio teve que ser encerrado e acabou entrando para a galeria do “Já teve”. Segundo informações, a fábrica iniciou suas atividades na década de 60, e encerrou em meados de 80 e teve uma vida de 20 anos.
Restou desses áureos tempos, o prédio que é um marco na história empresarial do povo Pauxis e a gostosa lembrança daquela garrafinha que decorava as mesas de aniversários e festas da cidade e que se tornou unanimidade em Óbidos,

Deve-se reverenciar a iniciativa do empresário Wilton Bentes que deixou sua marca empreendedora na vida empresarial obidense. Wilton, foi casado com a professora Maria do Carmo, carinhosamente chamada de Carmosinha, que inclusive foi minha professora de português, e teve quatro filhos: Francisco José, Wilton Júnior, Aenne Bentes e Daniel Bentes. Além de empresário bem-sucedido, era também pecuarista, integrante do Lions Clubs e foi venerável na Loja Maçônica de Óbidos Força e Harmonia nº 19.