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TERÇA DA CULTURA POPULAR – “MOTORISTA BARBEIRO”

Aristides Diaspor Aristides Dias10 de dezembro de 2024Nenhum comentário4 minutos de leitura
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(*) Célio Simões

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Antigamente, os barbeiros eram conhecidos não apenas por realizar cortes de cabelo e barba, mas também por desempenhar tarefas como extração de dentes, remoção de calos e unhas, entre outros.

Previsivelmente, tais serviços, incluindo pequenas cirurgias médicas e odontológicas, eram executados de forma precária, pois eles não possuíam nenhuma habilitação técnica, por isso as consequências desagradáveis, senão desastrosas, aos infortunados “clientes”.

Conta-se que em uma cidade do interior do Brasil, um dos barbeiros locais, sentindo fracassar seu faturamento pela concorrência de outros, viajou e quando voltou, trouxe na bagagem outro tipo de equipamento: seringas, pinças e boticões, passando a extrair os dentes de amigos e conhecidos, mediante pagamento.

Vem de longe essa expressão muito usada no dia-a-dia das cidades brasileiras. Há quem se reporte ao século XIX, quando ganhou impulso a fabricação de carros. E se alude aos profissionais que cuidavam de barbas e cabelos, certamente não era pelos erros na execução dessas tarefas e sim, quando atuavam como supostos protéticos, enfermeiros ou médicos.

Não é comum advogados, engenheiros, contadores, agrônomos, economistas e magistrados, por mais que cometam erros, serem rotulados de “barbeiros”. Isso é mais comum com os profissionais da saúde, valendo lembrar o ditado que bem ilustra essa assertiva: – “o erro do médico a terra encobre; a do dentista está na cara”.

Aos motoristas rotulados com essa pecha, é emblemático o caso da jovem que reclamava que seu antigo carro falhava muito e não tinha força para subir qualquer ladeira. Depois do mecânico passar uma semana testando o motor na tentativa de descobrir o defeito, e já tendo trocado todas as peças possíveis, observou que a proprietária partia com o veículo funcionando normalmente, porém voltava reclamando do mesmo problema: o motor estava rateando.

Angustiado e sem saber mais o que fazer, sugeriu ele à distinta senhorita que fossem dar uma volta, com ela na direção e ele como passageiro, observando. No dia do “teste drive” ela ligou o motor e no momento da partida, puxou o afogador ao máximo e candidamente comentou: “isto aqui é um ótimo lugar que eu uso sempre para pendurar a minha bolsa!…”. Perplexo, o mecânico viu logo que o defeito nunca fora do carro e sim da motorista “barbeira”, que sem noção da utilidade do afogador, usava-o indevidamente como cabide, comprometendo o funcionamento normal do veículo.

E quem de nós nunca viu uma “barbeiragem” pelas ruas e estradas do Brasil? Ser chamado de “barbeiro” é quase uma ofensa, mas há situações que não escapam desse qualificativo, expresso ou implícito. Tendo perguntado ao vizinho se sua esposa já estava dirigindo bem o carro da família, após ser aprovada com louvor pela autoescola do bairro, veio a resposta inesperada:

– Está sim! Inclusive, ela já faz as curvas na mesma hora que a estrada faz…

Foi em Portugal que passaram a ser chamados de “barbeiros” aqueles que, de maneira tosca ou imperfeita, executavam qualquer serviço. Mas quando o termo chegou ao Brasil, desembarcou junto com os primeiros automóveis, então esse passou a ser o conceito informal atribuído a quem dirige mal, judia do veículo na hora de estacionar, engata marcha à ré sem olhar quem está atrás, prejudica os demais condutores e promove pânico na via pública.

Se no século XV o termo “barbeiro” era atribuído a quaisquer atividades mal executadas, com o passar do tempo foi relacionado precipuamente aos motoristas, daí a expressão “motorista barbeiro” – ou seja, aquele que transforma em vítima o próprio carro ou o trânsito como um todo, já comprometido pelos constantes engarrafamentos nas médias e grandes cidades, principalmente quando esse vilão insiste em dirigir bisbilhotando o celular.

Ou, o que é mais preocupante, quando ainda sem a necessária versatilidade com os veículos de câmbio automático, os “barbeiros” invadem lojas, sobem em canteiros ou derrubam paredes de garagens, simplesmente porque pisam fundo no acelerador pensando que é o feio!

Não por acaso, tramita no Senado Federal o projeto de lei n.º 3.688/2024 propondo a utilização de carros automáticos e elétricos nas aulas práticas de direção, visando a obtenção da CNH. Pode ser que com essa medida legislativa, esse tipo de barbeiragem diminua bastante ou pelo menos fique limitada àqueles que são “barbeiros” por incrível vocação…

(*) O autor é advogado, escritor, palestrante, poeta e memorialista. É membro da Academia Paraense de Letras, da Academia Paraense de Letras Jurídicas, da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Artística e Literária de Óbidos, da Confraria Brasileira de Letras, do Instituto dos Advogados do Pará, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós.

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