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CARTA AO AMIGO VICENTE!

Aristides Diaspor Aristides Dias22 de outubro de 2025Nenhum comentário3 minutos de leitura
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Aristides Dias

Olá, como vai? Eu to indo, eu vou bem, vou levando do jeito que dá. Diferentemente de você que agora está no paraíso, sentado a direita do pai. Aqui na terra, vamos aos trancos e barrancos, uma hora com grana, outra hora com menos grana e assim a gente vai levando. Espero que esta chegue até você e te deixe atualizado.

Caro amigo, foi um choque saber de sua partida, confesso que jamais esperava. Fico pensando se desse pra gente se despedir dos amigos, familiares, antes de ir, tudo seria mais tranquilo e menos doloroso, mas a regra da vida não é essa e a gente tem mais é que engolir a seco e seguir em frente.

Lembro que nós convivemos desde a infância, pois fomos vizinhos, crescemos, viemos pra capital e continuamos convivendo de forma bem familiar. Tínhamos muitas coisas incomuns, como: o mesmo time, os mesmos cantores (Caetano, Chico, Milton, Gil…) você com uma identificação maior com os mineiros, politicamente pensávamos iguais e outras coisas da vida também.

Aqui na terra amigo, continua o futebol, o carnaval, os barzinhos com música ao vivo, poucos com as músicas que a gente gosta, mas tem. Não sei se aí em cima tem essas coisas mundanas, só sabe quem já partiu, não é? Sei que andas atualizando os papos com tua família, mas se tiveres um tempo procura meu pai, e se puder manda um abraço bem grande pra ele e diz que estamos sobrevivendo.

Outro dia lembrei de quando pegávamos uma garrafa de cachaça, eu, você e mais alguns amigos, e saíamos pra curtir a noite na praça da Trindade, tocando violão. Naquela época não tinha a violência que tem hoje. Éramos felizes e não sabíamos.

A última vez que nos encontramos foi na nossa terra, no período da festividade da nossa padroeira, Senhora Sant’Ana. Você com seu violão debaixo do braço, estava sempre em casa, sempre com uma boa resenha, uma música e o ar sereno. Ainda fiz uma dedicatória do meu livro pra você.

Sei que gostavas de apreciar as coisas da terrinha e numa dessas fomos comer aquele Surubim cozido, lá pra perto do Laguinho com um Baré. A simplicidade era sua marca registrada. Hoje é difícil encontrar amigos como você, desprovido de vaidades, de interesses capitais. Sorte a minha de ter tido um amigo como você!

Como diz a canção que você gostava: “Amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não”.

Brother, um dia a gente se encontra, a vida não é só aqui, repare naquela estrada…..

É isso amigo, Vou ficando por aqui, que Deus do céu me ajude e se puder contar com a sua também eu agradeço.

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