Aristides Dias
Sempre ouvi histórias de amigos aventureiros que costumam fazer trilhas e umas das que me chamavam a atenção era quando encaravam a Transamazônica. Temida por muitos pelo seu estado de conservação, sem nenhum olhar do poder público para a via. Inúmeros carros ficavam pelo meio do caminho nos vários atoleiros que existiam em sua extensão.
Passaram-se os anos e os comentários passaram a ser outros, o de que a via estava quase que totalmente asfaltada, tirando a adrenalina dos aventureiros de plantão, mas em compensação, a viagem passou a ser mais rápida para quem tinha como destino Santarém, por exemplo.
Agora, com poucos quilômetros sem asfalta e com a viagem bem mais rápida, resolvi encarar o trajeto Belém x Santarém, de ônibus, que, sem nenhum imprevisto são 26 horas de viagem, em um ônibus semileito.
Saí de Belém, num domingo a tarde, às 15h, com previsão de chegada em Santarém, na segunda-feira às 17horas. É importante dizer que: fui de ônibus porque não consigo dirigir todo esse trajeto, não gosto de fazer viagens longas dirigindo.
Muito bem, às 15 horas estava eu no terminal rodoviário esperando o ônibus chegar e que chegou meia hora depois, mas tava tudo certo, ali começava a minha viagem de ônibus até Santarém, uma vontade incubada que agora se realizaria. Da janela lateral eu apreciava de minha poltrona a paisagem que se via numa velocidade de 80 quilômetros por hora.
A primeira que me impressionei foi ao descer em Anapu, para esticar as pernas, pois lá aconteceu o assassinato covarde onde assassinaram a ativista americana Doroty Steng, crime esse de repercussão internacional. Chega me arrepiei. Não tem como não refletir a maldade humana.
Antes de chegar em Breu Branco, tivemos que fazer uma parada obrigatória, fomos informados de que uma carreta tinha tombado e ocupava toda a pista impossibilitando o fluxo de ida e vinda de veículos. Com o acidente, houve um hiato de quase cinco horas, o que fez mudar toda minha programação, mas faz parte de qualquer viagem, um imprevisto.
Com isso, passamos por Tucuruí a noite, e Belo Monte também, mas que deu pra ver a sua barragem imponente.
Finalmente, também pude ver a construção da ponte sobre o rio Xingú, obra grandiosa de tecnologia chinesa que irá acabar com a travessia de balsa em Altamira, diminuindo a viagem no mínimo em 30 minutos. Sem falar nas fazendas de gado que se avista. Depois foi chão e um trecho que está precisando urgentemente ser asfaltado, pois além de atrasar a viagem, não deixa ninguém relaxado de tanto balanço.
Com os imprevistos de viagem, a previsão de chagada ao nosso destino (Santarém) era de 5 horas da tarde no dia seguinte, totalizando 26 horas de viagem, mas só conseguimos chegar 1 e meia da manhã. Mas valeu pela experiência. Agora, estou me preparando para o caminho de volta.


