“Esses clientes optaram por algo diferente. Esse é o movimento que muitos agentes de viagem têm sentido”, afirma.
Apesar da retração na demanda, a empresária destaca que não houve cancelamentos entre os clientes atendidos, mas sim mudanças em viagens que ainda estavam em fase de planejamento. Destinos como Israel, Jordânia, Egito, Catar, Maldivas e Emirados Árabes Unidos — tradicionalmente procurados por turistas — tiveram a demanda “praticamente congelada” nas últimas semanas.
Outro fator de preocupação entre os viajantes é a instabilidade no transporte aéreo. Os principais hubs da região, como Dubai, Abu Dhabi e Doha, que juntos movimentam centenas de milhares de passageiros diariamente, já enfrentaram interrupções operacionais com o avanço do conflito, afetando a conectividade global.
“Os passageiros e agentes ainda estão com receio de que a instabilidade afete a malha aérea, principalmente”, explica Izabelle.
A insegurança também atinge, ainda que de forma indireta, outros destinos. Clientes com viagens marcadas para a Europa, por exemplo, têm demonstrado preocupação, sobretudo diante da circulação de desinformação sobre supostas paralisações de aeroportos. Até o momento, no entanto, não há registro de mudanças concretas relacionadas à guerra em países fora da zona de conflito.
Mesmo com o cenário de incerteza, a procura por viagens não foi totalmente interrompida. De acordo com a especialista, a maioria dos clientes segue buscando informações, revisando políticas de cancelamento e mantendo o otimismo em relação às férias.
A recomendação das agências, por outro lado, é clara: evitar viagens para áreas diretamente afetadas pelo conflito. Para quem já tem viagens marcadas para regiões próximas, a orientação é monitorar constantemente o status dos voos, seguir recomendações oficiais e contratar seguro viagem — ainda que nem todas as apólices cubram situações de guerra.
Por fim, Izabelle ressalta que o turismo tende a se adaptar, mesmo diante de crises prolongadas. Ela lembra que, durante a intensificação do conflito entre Israel e Palestina em 2023, chegou a viajar ao Egito sem intercorrências.
“O mercado turístico acaba se adaptando a esse tipo de acontecimento. É um setor que movimenta bilhões de dólares, então não é interessante para ninguém que as viagens parem”, avalia.