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Economia

No Pará, mulheres ocupam 32% das vagas de trabalho e ganham 17% menos que homens

Aristides Diaspor Aristides Dias30 de abril de 2026Nenhum comentário4 minutos de leitura
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Dados são do Painel do Relatório de Transparência Salarial e se referem às contratações em estabelecimentos com 100 ou mais empregados

O Liberal
Rodnae Productions / Pexels

As mulheres ocupam 32% das vagas em empresas com 100 ou mais empregados no Pará e recebem 17% a menos que os homens nesses estabelecimentos. É o que mostra o Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Ministério das Mulheres (MMULHERES), juntamente com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial.

Conforme o levantamento, o Pará registrava, em dezembro do ano passado, 1.145 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, totalizando 399,9 mil vínculos empregatícios. Desses, 128,1 mil eram ocupados por mulheres, sendo 105,9 mil por mulheres negras (82,6%) e 22,1 mil por mulheres não negras (17,3%). Os homens empregados nessas empresas somavam 271,7 mil, dos quais 233,4 mil eram negros (85,9%) e 38,3 mil não negros (14,1%).

Além disso, no estado, a remuneração média das mulheres em estabelecimentos com 100 ou mais empregados foi de R$ 3.097,70 em dezembro de 2025, contra R$ 3.735,51 dos homens. As mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.877,85, enquanto o valor médio para as mulheres não negras ficou em R$ 4.178,59. No mesmo período, os homens negros receberam, em média, R$ 3.507,95. Por sua vez, os homens não negros tiveram uma remuneração média de R$ 5.148,70.

Crescimento do Emprego Feminino

Embora a desigualdade permaneça, o 5º Relatório de Transparência Salarial aponta para a ampliação da participação feminina e, especialmente, para o crescimento da contratação de mulheres negras em grandes empresas.

Nacionalmente, o número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29% entre 2023 e 2025. Passou de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o equivalente a mais de 1 milhão de novas contratações formais. Já o crescimento do emprego na soma total de mulheres foi de 11%, passando de 7,2 milhões para 8,0 milhões, um aumento de 800 mil empregadas no período.

Em âmbito nacional, o estudo também revela que as mulheres receberam, em 2025, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados. Esse percentual subiu em relação a 2023, quando era de 20,7%.

Em 2025, o salário médio das mulheres no momento da admissão esteve cerca de 14,3% abaixo do registrado para os homens. Este percentual também é superior aos 13,7% verificados em 2023.

Políticas de Incentivo à Contratação

O Painel do Relatório de Transparência Salarial apresenta um panorama atualizado para o primeiro semestre de 2026. Ele mostra o percentual de estabelecimentos que trabalham com políticas de incentivo à contratação de mulheres nas diferentes unidades da Federação.

O estado paraense conta com 30,3% desses estabelecimentos. As empresas do Pará com 100 ou mais empregados possuem as seguintes políticas de incentivo:

  • 6,9% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica;
  • 19,8% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+;
  • 20% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres com deficiência;
  • 24,8% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres negras.

Oportunidades

Os dados nacionais indicam que ainda é necessário avançar na equiparação salarial e em outros aspectos. “Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Ela ressalta que as mulheres ainda se ressentem muito de processos que as discriminam por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista. “A gente tem que trabalhar muito mais, tem que dialogar muito mais, tem que se juntar a todas as confederações, as entidades, as instâncias federativas”, acrescentou a ministra.

 

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