
O OFÍCIO DE PESCADORA
“Há livros que chegam como marolas na praia, leves, passageiras. Mas há outros que, de tão profundos, abrem sulcos na alma, tal qual um remo riscando as águas densas de um rio amazônico. Pescadora de Esperança, da paraense Ana Reis Josaphat, é um desses livros que não se contentam em flutuar. Mergulha em nós, e nos convida a fazer o mesmo. Imagine a cena: uma mulher já nos 70, nascida onde o rio é rei e a mata é soberana, decidindo lançar ao mundo o que parece ser mais que um livro, um chamado, uma provocação. Ana, socióloga, psicóloga, terapeuta transpessoal, carrega em suas páginas não apenas palavras, mas vivências — não apenas histórias, mas a própria Amazônia.
A obra, que transita entre poesia e prosa poética, é um convite ao mergulho. E não é qualquer mergulho. É o tipo que requer fôlego, porque toca os alicerces do que significa estar vivo. As dores, os amores, as perdas, a matéria que nos compõe e, ao mesmo tempo, o espírito indomável que carrega nossas utopias. Como Ana mesmo sugere, a poesia não é para ser lida com pressa. É para ser sentida, sorvida aos poucos, como se degusta um açaí fresco colhido da terra natal. O que mais intriga não é apenas o que Ana escreve, mas por que escreve. Há algo de profundamente humano em sua decisão de transformar a dor e a beleza de uma pandemia em poesia. Enquanto o mundo parecia desmoronar, Ana tirava versos do caos, como quem encontra ouro no fundo do rio. Fala de desejos — sim, desejos! — que, segundo ela, teimam em habitar corpos septuagenários, mesmo quando o mundo insiste em apagá-los. Desejos de carne e de alma, de seguir sonhando, de continuar a “utopiar. Porque, afinal, quem disse que o último ciclo da vida é só despedida? Para Ana, é também celebração.
E não é apenas sobre ser mulher, mas sobre ser mulher em maturidade. Uma mulher que, mesmo a quilômetros de distância de sua Óbidos natal, não deixou para trás a Amazônia. Está tudo lá: a canoa na capa do livro, a força das águas, a natureza que não se apaga. No final das contas, Ana não escreve apenas para ser lida, mas para ser ouvida. Para criar uma conexão que vai além do papel, que chega até o coração de quem se permite desacelerar e ouvir. Porque, como ela mesma diz, poesia é cuidado — e que outro ofício seria mais nobre para uma pescadora de esperança?”
SERVIÇO:
O livro será lançado no dia 14 de agosto de 2025, às 10h, na SEDAP ( Tv. do Chaco, 2232 – Marco ), em Belém. O evento contará com música ao vivo, leitura de poemas e apresentações culturais. É aberto ao público, como deve ser todo convite à introspecção.
E quem sabe, ao final, você também não sai de lá com um remo na mão, pronto para navegar suas próprias profundezas?
( Com informações do DOL — Diário Online )
O livro está à venda na Editora Appris https://editoraappris.com.br/produto/pescadora-de-esperanca/?srsltid=AfmBOoqa1eh9t50L__fWAtcloMCbon7WLxYPx-sbrBcteP_gUDD11kRO
E, também, no magazine Luiza, Mercado livre, Amazon etc. Quem quiser comprar o Pescadora de Esperança com autógrafo, a escritora avisa que estará na Feira Pan – Amazônica do Livro, a partir do dia 16.08.2025, no Hangar, lá no Estande dos Escritores Paraenses.