O site procurou o escritor obidense Ademar Amaral, autor de “Temporal de Cima”, “Sementes do Sol” e muitos outros, para falar de seu novo trabalho que é uma apostila de matemática para alunos que pretendem adentrar na escola militar. Ademar deu uma fugida de seus contos e dedicou boa parte de seu tempo para a elaboração dessa apostila que tem 400 páginas com questões de matemática. Segundo o autor o resultado final o deixou muito satisfeito, pois foi um trabalho muito prazeroso que teve. Sem dúvida essa apostila será de muita importância na formação desses jovens alunos. O escritor adiantou o prefácio feito por José Miguel Martins Veloso, Bacharel em Matemática pela Universidade de São Paulo, e uma questão que consta na apostila. O lançamento será em breve.

 

PREFÁCIO

 

José Miguel Martins Veloso

Bacharel em Matemática pela Universidade de São Paulo

Mestre em Matemática pela Universidade do Chile

  Doutor PHD em Matemática pela Universidade de São Paulo

Pós-Doutorado em Matemática pela UBBerkley, California – USA

 

Por três razões fiquei extremamente feliz quando Ademar Amaral me convidou para escrever o prefácio deste seu livro de solução de problemas de Matemática, usados na seleção para os Colégios Militares do Brasil: a primeira porque tenho paixão pela Matemática desde menino, o que me fez enveredar pela profissão de matemático, a segunda, por ter trabalhado em formular questões para Processos Seletivos da Universidade Federal do Pará, pois conheço da dificuldade em criar novas questões de Matemática que não sejam repetições daquelas existentes, e valorizo o trabalho daqueles que se aventuram nessa tarefa. A terceira, e a mais importante, porque eu e Ademar Amaral fomos colegas desde o ginásio no Colégio Nazaré, onde partilhamos uma amizade estreita.

Somos ambos originários de cidades do interior, eu de Abaetetuba, ele de Óbidos, obrigados a mudar de nossos municípios para ter acesso a escolas secundárias. Ademar estava no Colégio Dom Amando, em Santarém, e veio para o Nazaré, em 1964, na 4a série ginasial, equivalente hoje a 8a série do ensino fundamental. Eu vim na primeira série do ginasial, em 1961, já estava aclimatado às intempéries do colégio e nosso interesse mútuo pela Matemática nos aproximou. Já era amigo do Jorge Carvalho, hoje um grande cirurgião plástico, e acabamos formando um trio de amigos, que estudavam e discutiam as questões do noticiário em nossos encontros.

Éramos um trio irrequieto por conhecimento e nosso colégio não possuía laboratórios que pudéssemos usar. A corrida espacial entre a extinta URSS e os EUA, em plena Guerra Fria, era assunto de momento, principalmente após o lançamento do Sputnik, primeiro satélite orbital da Terra, e da cadela Laika, primeiro ser vivo a ir ao espaço, em 1957, e do primeiro homem, Gagarin, em 1961. O livro, “Astronáutica”, publicado por R. Argentière em 1957, encontrado por Ademar na Livraria Martins, foi o empuxo que necessitávamos para construirmos, creio, o primeiro foguete a combustível sólido no Estado do Pará, o qual, em uma tarde do ano 1965, alçou voo de sua estação de lançamento no quintal da casa dos pais de Ademar, na Av. Senador Lemos e subiu por vários minutos, até desaparecer de nossa visão. Infelizmente não tínhamos o alcance da importância de nosso feito, e não procuramos os jornais para divulgar o evento. Aos leitores incrédulos comunico que existem provas fotográficas deste feito, as quais sem dúvida podem ser disponibilizadas pelo autor. Que combustível usamos? As farmácias, em 1965, eram principalmente de manipulação, e algumas estavam vendendo as vidrarias e reagentes, pois iniciavam a venda de medicamentos produzidos pela indústria. Foi possível, assim, a preço de ocasião, montarmos um pequeno laboratório de Química, mas esta é outra história.

Nesse mesmo ano, o Núcleo de Física e Matemática da UFPA ofereceu um Curso de Matemática para Alunos do Ensino Médio, para o qual eu e Ademar fomos classificados e participamos. Esta iniciativa teve grande repercussão na formação de matemáticos, físicos e engenheiros no Pará. Mas, ao final do ensino médio nossas vidas se distanciaram. Tive oportunidade de fazer o vestibular na USP para Matemática e Ademar para Engenharia Civil, na UFPA. Ademar com toda sua bagagem matemática fez uma carreira brilhante como engenheiro especialista da Sotreq, na aplicação de máquinas pesadas Caterpillar para grandes mineradoras, no Pará, tendo recebido uma homenagem na Caterpillar América, no ano da sua aposentadoria, em 2022.

De São Paulo fui para Santiago do Chile, onde fiz mestrado em Matemática e trabalhei em duas Universidades: UTE e UC. Voltei para a USP, terminando meu doutorado em Matemática, em 1980. Depois passei um ano e meio na UCBerkeley, na Califórnia, USA, em pós-doutorado, retornando à USP, como professor. Em 1986 vim para a UFPA, onde contribuí como professor e continuei com minhas pesquisas em matemática, visitando frequentemente a Universidade de Sorbonne, em Paris.

Meu retorno a Belém, há alguns anos, me permitiu ter a imensa satisfação de reencontrar Ademar Amaral e retornar nossa antiga amizade, assim como reconhecer a influência daquele período do Colégio Nazaré em minha vida posterior. Aos leitores desta obra, garanto que as soluções dadas aos problemas foram todas pensadas e repensadas pelo Ademar, de modo a serem precisas, perfeitas e num linguajar de matemáticos, mas de fácil entendimento pelos jovens de 11 anos que pleiteiam uma vaga e que sonham estudar num colégio de excelente nível. Por isso não posso deixar de recomendar esta obra aos alunos que hoje pleiteiam e sonham entrar em um dos Colégios Militares do Brasil.

A capa ainda não está definida, essa é uma ilustração.

Exemplo de uma das questões do livro, do Colégio Militar de Belém:

Bruna desafiou sua amiga em uns cálculos matemáticos e, para tornar ainda mais interessante a disputa, resolveu escrever a expressão em algarismos romanos, como demonstrado abaixo:

Qual o resultado correto da expressão?

Solução:

A Bruna quis mesmo complicar a cabeça da sua amiga, mas esta era muito inteligente e logo tratou de mudar a expressão em algarismos romanos (representados por letras) para algarismos arábicos (números de 0 a 9), pois são os mais usados em todo o mundo. Transformando fica:

XVI = 16, IV = 4, XX = 20, LV = 55, V = 5, CLI = 151

Transformando a expressão para algarismos arábicos fica:

16 : 4 + (20 – 4) – (55 : 5) + 151

4 + 16 – 11 + 151

= 160  

160 corresponde a CLX em algarismos romanos e a resposta correta é a letra A

 

A – CLX

BCVX

CCXXXVI

DCLI

EMLX

Deixe um comentário

Exit mobile version