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Saúde

Dor no calcanhar é o principal sintoma da fascite plantar

Aristides Diaspor Aristides Dias30 de janeiro de 2024Nenhum comentário4 minutos de leitura
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Condição afeta 1 em cada 10 pessoas depois dos 40 anos


 A fascite plantar é uma doença caracterizada pela degeneração progressiva da fáscia plantar, tecido que se  estende do osso do calcanhar até a planta do pé. O principal sintoma da condição é a dor no calcanhar, especialmente ao se levantar após longos períodos em pé ou ainda depois de caminhadas.
 
Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Dores Crônicas e Saúde Postural, a fáscia plantar desempenha um papel importante na biomecânica normal do pé, sendo composta por três segmentos, todos originados do calcâneo.

“A fáscia é importante para fornecer suporte ao arco plantar e proporcionar absorção de choque durante a marcha. Durante a fase de apoio da marcha, aquela em que damos o impulso para andar, a fáscia é constantemente comprimida e submetida a movimentos repetitivos de tração”.
 
Origem da fascite plantar é multifatorial
 
Em geral, a fascite plantar é causada pelo uso excessivo e por esforços repetitivos. Estas duas condições podem causar microrrupturas no tecido. Em outros casos, traumas e lesões nos pés também podem levar ao desenvolvimento da doença.
 
“Entretanto, existem alguns fatores que aumentam o risco de a pessoa apresentar a fascite plantar como pé plano, pé cavo e redução da flexibilidade do tornozelo. Além disto, o tipo de pisada também pode contribuir, como a pronação ou supinação excessiva”, comenta a especialista.
 
“O pé plano pode causar aumento da tensão na fáscia plantar. Já o pé cavo pode causar tensão excessiva no calcanhar, porque o pé não reverte ou absorve o choque com eficácia. Há ainda pessoas que possuem encurtamentos importantes nos músculos posteriores das pernas e isto altera a biomecânica durante a caminhada”, explica Walkíria.

Outros fatores de risco são idade (mais comum em idosos), prática de esportes como corrida, obesidade, atrofia no calcanhar e profissões que exigem que o trabalhador passe muitas horas em pé. Por fim, pessoas que usam constantemente sapatos de solado raso, como chinelos, rasteirinhas e sapatilhas podem desenvolver a fascite plantar, bem como apresentar piora do quadro, caso já tenham o diagnóstico. 

 Dor no calcanhar é principal sintoma
 
Os pacientes, frequentemente, apresentam história de dor progressiva no calcanhar. Geralmente, a dor é aguda e piora nos primeiros passos para sair da cama pela manhã. Longos períodos na posição de pé ou sentada também pode agravar os sintomas.
 
 Cuidado com os calçados
 
Os brasileiros têm um hábito muito comum que é andar com chinelos de dedo, principalmente durante o verão. “Entretanto, chinelos, rasteirinhas, sapatilhas e sapatênis aumentam o risco de problemas na fáscia e no pé. Isto porque estes calçados não oferecem apoio para o arco do pé, o que pode causar danos na fáscia plantar ao longo do tempo”, alerta a fisioterapeuta.
 
A preocupação também se estende para as mulheres que usam sapatos de salto alto. Estes calçados podem levar ao encurtamento da fáscia plantar.

“Portanto, o ideal é usar os chinelos para ir à praia e piscina ou ainda dentro de casa, mas nunca por períodos prolongados. A dica é investir em chinelos ortopédicos que oferecem apoio para o arco do pé”, recomenda Walkíria.
 
Para quem usa sapato todo dia para trabalhar, por exemplo, a dica é optar por saltos de 3 a 4 cm ou ainda por modelos das linhas de conforto, que também possuem palmilhas e formatos mais anatômicos.
 
O papel da fisioterapia no tratamento da fascite plantar
 
Inicialmente, o tratamento visa à redução da dor. Isto pode ser feito com medicamentos em associação com recursos da fisioterapia como eletroestimulação, ultrassom e termoterapia.
 
“No início do tratamento é fundamental entender as causas ou fatores de risco associados ao quadro da fascite para traçar o plano terapêutico. Em muitos casos é preciso corrigir a pisada, bem como o arco plantar. Também precisamos avaliar o impacto do peso e de esportes que o paciente pratica no quadro da fascite”, relata Walkíria.
 
“Quando o paciente sai do quadro agudo de dor, podemos iniciar os alongamentos e demais exercícios para aumentar a flexibilidade e a amplitude de movimento. Também é preciso corrigir os encurtamentos musculares e organizar a biomecânica da marcha”, complementa.   
 
“Por fim, alguns pacientes podem se beneficiar do uso de palmilhas e órteses. Lembrando ainda que é preciso escolher os calçados com critério. Em cerca de 75% dos casos, a fascite plantar melhora torno de 12 meses. Contudo, é uma doença degenerativa que pode evoluir, tendo períodos de melhora e piora”, finaliza Walkíria.  
 
 

Leda Sangiorgio
Assessoria de Imprensa

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