Criador de conteúdo nascido em Osasco percorreu o planeta em pouco mais de dois anos e usou a viagem para ampliar a representatividade de pessoas negras no turismo
Por O Globo — Rio de Janeiro
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A imagem de Robson Jesus cruzando fronteiras voltou a ganhar força nas redes sociais nesta semana, mas o feito que o colocou no Guinness World Records vai muito além dos números. Nascido em Osasco, na Grande São Paulo, o criador de conteúdo de 35 anos tornou-se o primeiro homem a visitar todos os 193 países reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) no menor tempo já registrado. Mais do que quebrar um recorde, ele transformou uma inquietação de infância em um projeto de vida e fez da própria trajetória uma forma de ampliar a representatividade no universo das viagens.
No ranking geral, a marca mais rápida continua pertencendo à canadense Taylor Demonbreun, que completou o desafio em um ano e 189 dias. Entre os homens, porém, Robson passou a ocupar o topo da lista ao concluir a jornada em dois anos e 42 dias.
A expedição começou em 28 de fevereiro de 2022, na Tailândia, e terminou em abril de 2024, quando ele retornou a São Paulo. Ainda naquele ano, recebeu oficialmente o certificado do Guinness. Para cumprir o cronograma, permaneceu, em média, três dias em cada destino. Ao longo do percurso, passou por 35 países das Américas, 49 da Europa, 54 da África, 44 da Ásia e 14 da Oceania.
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A conquista, no entanto, começou muito antes do embarque. Em um relato publicado nas redes sociais, Robson conta que cresceu em Osasco e que foi a internet que expandiu seus horizontes. “Desde pequeno eu queria explorar, entender, descobrir… enquanto tudo ao meu redor dizia que certos lugares e sonhos ‘não eram pra mim'”, escreveu.
O desejo de conhecer o mundo ganhou contornos mais concretos quando passou a produzir conteúdo para as redes sociais. Durante a pandemia, em 2021, aproveitou o período de isolamento para revisitar seus objetivos pessoais e decidiu transformar um sonho antigo em um plano ambicioso: visitar todos os países do planeta.
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Ao pesquisar sobre o universo das grandes viagens, percebeu que havia poucos criadores de conteúdo negros produzindo relatos de turismo em escala global. A constatação fez com que o projeto deixasse de ser apenas uma realização pessoal. Robson decidiu usar sua visibilidade para inspirar outras pessoas que, como ele, cresceram sem se enxergar ocupando esses espaços.
Nas redes, celebrou a conquista destacando o caminho percorrido até o livro dos recordes. “Da favela de Osasco para o livro dos recordes! Sou muito grato a cada ser humano que cruzou meu caminho nessa jornada… seja me inspirando, me ajudando, trocando, me fortalecendo ou me trazendo algum aprendizado, sabedoria”, publicou.

Viabilizar uma viagem dessa dimensão também exigiu planejamento financeiro. Robson iniciou o projeto investindo cerca de R$ 100 mil de suas economias. Ao longo da jornada, passou a custear o restante das despesas com a produção de conteúdo para as redes sociais e com trabalhos de fotografia e vídeo realizados para empresas durante o percurso.
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