A Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC) administra atualmente quatro hospitais regionais no estado. Policiais federais estiveram na sede da Aselc, que fica no bairro da Cremação, em Belém

A operação começou após apurações do Ministério Público Federal (MPF), com apoio operacional da PF e com a análise técnica da CGU, que examinou o processo de qualificação da OSS, identificando indícios de fraude processual e de irregularidades na execução contratual. O trabalho busca aprofundar as investigações envolvendo possíveis fraudes em processos administrativos, improbidade administrativa e dano ao erário. A Aselc teria recebido recursos que superam R$ 642 milhões, sendo apontadas suspeitas iniciais de irregularidades que podem alcançar, ao menos, R$ 48 milhões.
A Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC) administra atualmente quatro hospitais regionais no estado. Segundo o próprio site da OSS, a ASELC gerencia os hospitais regionais de Rio Maria (ORRM), Geral de Parauapebas (HGP), Hospital Regional Público do Araguaia (HRPA), localizado em Redenção, e Hospital Regional Público de Castanhal (HRPC). A Aselc informa que é uma “Organização Social de Saúde (OSS), que investe permanentemente na qualidade dos serviços médico-hospitalares, e na segurança do paciente, nos hospitais que administra”.
As equipes de investigação foram às ruas para cumprir nove mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, em endereços residenciais e comerciais localizados nos municípios de Belém e de Ananindeua. Não houve mandatos de prisão. Os órgãos não divulgaram os nomes dos alvos envolvidos, sob o argumento de que o processo segue sob segredo de justiça.
A reportagem buscou respostas da organização social de saúde (OSS) Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC) sobre a Operação Fratria por telefone e e-mail, mas ninguém respondeu até agora. O gabinete do deputado Gustavo Sefer também foi procurado pela reportagem para falar sobre a relação do parlamentar com o presidente da Aselc, Clebson Carlos Gomes Vasconcelos, e aguarda retorno.
Histórico
A relação da OSS Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC) e membros da família Sefer já havia sido denunciada pelo ex-procurador do Estado do Pará Afonso Carlos Paulo de Oliveira Júnior, em 2021. O caso foi investigado pelo promotor de Justiça de Tutela das Fundações, Entidades de Interesse Social, Falência, Recuperação Judicial e Extrajudicial, Sávio Rui Brabo de Araújo. Na época, o promotor Sávio Brabo abriu procedimento preparatório e solicitou esclarecimentos ao então Procurador Geral do Estado (PGE) Ricardo Sefer, que atualmente é secretário de Estado de Educação do Pará.
O ex-procurador Afonso Oliveira acusou Ricardo Sefer de ser o chefe de esquema criminoso no Estado do Pará, que teria ligação direta com as Organizações Sociais Idesma e ASELC. Afonso Oliveira fez denúncias envolvendo a atuação judicial da PGE, na gestão de Ricardo Sefer, nos eventos relacionados às Operações da PF sobre respiradores (Para Bellum) e OS’s de Saúde (SOS). A reportagem solicitou informações sobre o resultado da investigação aberta pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e também à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), pasta que Ricardo Sefer ocupa atualmente.