Aristides Dias
Roberto Carlos em sua canção, diz que estava voando no seu carro, quando viu pela frente um broto diferente. Minha experiência foi com o carro, sem velocidade, sem broto, mas com um grande susto ao lado do motorista que era eu.
Eu, com meus vinte e poucos anos, fase que achamos que podemos tudo e nada vai acontecer contra a gente, dirigia meu Fiat 147, marrom, carro com roda de magnésio (moda da época), um teto solar improvisado, que dava mais trabalho do que prazer, volante esportivo, som com amplificador Tojo, bancos alcochoados, diria que era bem arrumadinho, mas ainda não dirigia bem, tinha meus lapsos no volante.
Mas a empolgação era maior que tudo, afinal, era o primeiro carro. Então, tudo era curtição. Certa vez com minha namorada ao lado e mais suas irmãs no banco de trás, resolvi fazer uma gracinha, pra mostrar que elas estavam em segurança comigo no meu carango.
Era um domingo a tarde, trafegava eu pela Gentil Bitencourt, quando de repente um carro para ao meu lado e, para descontrair, eu falei alguma coisa pro motorista, tipo “tirando onda” e arranquei no carro. O cidadão tinha um carro mais potente que o meu e deu duas aceleradas e já estava colado na minha janela.
Foi quando se instalou o pânico. Ele puxou um “trabuco” que nunca eu tinha visto na vida, nem a meninas. Foi uma gritaria no carro, eu não saia se acelerava ou se freava o carro. O cara falou poucas e boas pra mim e depois sorriu, percebendo que eu estava me pelando de medo, eu e todos que estavam no carro, afinal uma arma tinha sido apontada para nós, algo surreal pra época, anda mais com pessoas de bem. Depois o cidadão arrancou cantando pneu e eu, num suspiro aliviado, acalmei as meninas dizendo que o perigo tinha passado, que estava tudo bem.
Essa foi uma das primeiras lições no trânsito que serviu para a vida toda: não mexa com quem você não conhece, seja onde for. Por isso que se vê muitas mortes e discussões no trânsito, em mesa de bar, boates e outros, hoje. Pessoas sem paciência se ofendem se agridem, se matam, se atiram pro abismo. Assim não dá pra ser feliz!
- O autor é jornalista, músico, compositor, escritor, atual presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos – AALO.
