Aristides Dias
Gabriel Garcia Marques, em seu livro “Em agosto nos vemos”, narra a história de uma mulher que viajava todo ano, no mês de agosto, para visitar o túmulo de sua mãe. Era um compromisso que ela tinha com ela mesma. Baseado nesse conto é que resolvi escrever essa crônica.
Deus presenteou minha família com a convivência de muitos anos juntos, meu pai nos deixou aos 94 anos, então foram muitos momentos vividos juntos, que vão ficar na memória pra sempre.
Mas a vida tem suas regras e delas ninguém escapa, e uma delas é a morte, dessa ninguém consegue se livrar e chegou o momento de meu pai partir e desde então vieram as mudanças de hábitos. Como disse antes, nossa família era festa, alegria, o tempo todo. Não sabíamos o que é um sentimento de perda familiar.
Dia dos Pais por exemplo, já acordava dando aquele abraço no meu pai e o abraço de um pai, é um abrigo que o tempo não apaga. Tomava o café da manhã com ele e a cada hora um filho chegava fazendo o mesmo. A casa ficava cheia de filhos, netos e bisnetos, o almoço era sagrado com a presença de todos, ao fundo, as canções de Roberto Carlos.
No Dia dos Pais, deste ano, aquela alegria já não era a mesma na nossa casa, o personagem principal já não estava mais entre nós. Mas o espírito festeiro ele nos deixou de herança e, embora com o coração partido, tocamos em frente a data.
Este ano, as homenagens foram no cemitério, com flores, rezas, lágrimas e muita saudade, ao lado de nossa rainha mãe, que continua com o coração apertado. Pude perceber o paradoxo do lugar que com suas cores e flores, não tem nada de alegre e sim, um ambiente de dor e muita saudade. São pessoas chorando, acendendo velas e se consolando uma com as outras, como forma de abreviar o sofrimento. Como diz o ditado: memórias e recordações não tem o mesmo calor que em vida, então é mergulhar na saudade.
Agora, diferente da personagem de Gabriel, visito o cemitério todo mês, para um bate-papo com ele, também vou a missa todo mês, para acarinhar o coração. São as mudanças de hábitos que a vida nos impõe e assim vamos vivendo, um dia de cada vez e que seja do jeito que o PAI determinar.
