Aristides Dias

Aristides Dias
Na foto abaixo, o registro de quatro homens que pode-se considerar de uma geração de ouro. Pois foram exemplos para seus familiares e amigos, constituíram famílias e deram a elas exemplos do que é ser um ser humano digno, honesto, de caráter, sem precisar passar por cima de ninguém para ser alguém na vida.
Meu pai, chegou em Óbidos em 1955, construiu relações sólidas de amizades, participou ativamente da vida social da cidade, ganhou o título de “Cidadão Obidense” e foi muito feliz em sua vida por lá. Seu Hélio Marinho foi prefeito de Óbidos, criador do bairro de Santa Terezinha, e foi na sua gestão também a criação do aeroporto da cidade, que hoje leva o nome do saudoso Titilo Savino. Também criou seus filhos dando-lhes caráter, dignidade e humildade. Seu irmão, Délio Marinho, também não foi diferente, detentor de um carisma onde só agregava amizades. Exemplo de simplicidade, honestidade, idoneidade, qualidades que soube muito bem passar para seus filhos. Tito Valente do Couto, é outro nome dessa geração que agora faz parte da memória de seus familiares e amigos. Homem probo, de um coração gigante, repassou para os seus filhos o que é viver com dignidade e simplicidade.
Outro dia estava vendo umas fotos de quando meu pai passou no vestibular em uma delas está ele recebendo um abraço apertado do Sr. Hélio Marinho e percebe-se nela a felicidade do amigo em ver uma conquista de meu pai. Foi o Sr. Hélio Marinho quem convidou meus pais para entrarem no ECC (Encontro de Casais com Cristo) da Trindade, tal era o carinho e a amizade que um nutria pelo outro. Sempre que encontrava seu Hélio, ele perguntava pelo meu pai e mandava um abraço pra ele.
Seu Délio, homem sábio e de poucas palavras, também conviveu muito tempo com meu pai, fazendo parte, inclusive, da diretoria do Mariano junto com ele. Papai dizia que com seu Délio podia contar pra qualquer coisa e a qualquer hora. Lembro dele atrás do balcão do clíper de Sant’Ana, dando sua contribuição para a festividade. Naquela época era doação mesmo. Por essa roda viva que é o mundo, seu Délio acabou entrando em minha vida, pois passou a ser meu sogro e durante várias oportunidades pude desfrutar de sua prazerosa companhia, ouvindo suas histórias. Certa vez, estávamos indo para o Maumurú e, ao passar em frente a um supermercado ele pediu pra parar o carro, entrou, fez umas compras e entre elas uma caixinha de cerveja pra mim. Ele era assim.
Do seu Tito, lembro dos passeios de barco que fazíamos para a praia do Curumú. Chegava o período do verão, podia contar que quase todos os domingos meu pai, seu Tito, Gravata, Adílio, Duduquinha e outros, organizavam passeios para o Curumú, levando suas crias. Eram mais de 15 a 20 crianças que adoravam os passeios. Diria hoje, que era um piquenique de luxo. Sem contar que em nossas festas de Óbidos em Belém, lá estava o casal, Tito e Jeanet, sempre bailando no salão, arrancando o carinho e a atenção dos presentes, sem contar que sempre eram os últimos a deixar a festa.
Quando meu pai faleceu, ele compareceu ao velório, chorou, segurou nas mãos de meu pai e dizia que queria ficar a noite com ele, para fazer companhia ao amigo. Depois de muita insistência foi convencido de que teria que voltar pra casa.
Recentemente, o último a nos deixar foi seu Tito, fechando com chave de ouro, uma geração que serviu de exemplo não só para seus familiares, mas para todos que tiveram a felicidade de conhecê-los. Num período de um pouco mais de um ano esse quarteto de ouro foi morar com o pai celestial.
A foto foi tirada, a pedido de meu pai, no dia em que ele comemorava os seus 70 anos de casado.